Tempestades Neurais


31/12/2005


 

Já que final de ano é época de comemorações e celebrações, celebraremos então nossa realidade, conforme música desta banda já falecida.

Torcemos para que, com o começo de um novo ano, recomecemos nosso futuro.

Que coitados ignorantes (que com certeza não lêem isso aqui) mudem suas formas de ver e tratar o mundo.

Que haja um colapso caótico no mundo e que tudo mude radicalmente, e que com isso a humanidade seja menos irracional, menos instintiva, menos agressiva.

Mas, se nada disso for possível, que 2006 seja trocentas vezes melhor que 2005 para todos que aqui me visitaram neste ano.

Desculpe-me. Sem muito animo neste último mês do ano.

Escrito por Thi às 11h33
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Perfeição (Legião Urbana)

Vamos celebrar a estupidez humana

A estupidez de todas as nações

O meu país e sua corja de assassinos

Covardes, estupradores e ladrões

Vamos celebrar a estupidez do povo

Nossa polícia e televisão

Vamos celebrar nosso governo

E nosso Estado que não é nação

Celebrar a juventude sem escolas

As crianças mortas

Celebrar nossa desunião

Vamos celebrar Eros e Thanatos

Persephone e Hades

Vamos celebrar nossa tristeza

Vamos celebrar nossa vaidade

Vamos comemorar como idiotas

A cada fevereiro e feriado

Todos os mortos nas estradas

Os mortos por falta de hospitais

Vamos celebrar nossa justiça

A ganância e a difamação

Vamos celebrar os preconceitos

O voto dos analfabetos

Comemorar a água podre

E todos os impostos

Queimadas, mentiras e sequestros

Nosso castelo de cartas marcadas

O trabalho escravo

Nosso pequeno universo

Toda hipocrisia e toda afetação

Todo roubo e toda indiferença

Vamos celebrar epidemias

É a festa da torcida campeã

Vamos celebrar a fome

Não ter a quem ouvir

Não se ter a quem amar

Escrito por Thi às 11h33
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Vamos alimentar o que é maldade

Vamos machucar um coração

Vamos celebrar nossa bandeira

Nosso passado de absurdos gloriosos

Tudo que é gratuito e feio

Tudo que é normal

Vamos cantar juntos o hino nacional (a lágrima é verdadeira)

Vamos celebrar nossa saudade

E comemorar a nossa solidão

Vamos festejar a inveja

A intolerância e a incompreensão

Vamos festejar a violência

E esquecer a nossa gente

Que trabalhou honestamente a vida inteira

E agora não tem mais direito a nada

Vamos celebrar a aberração

De toda nossa falta de bom senso

Nosso descaso por educação

Vamos celebrar o horror de tudo isso

Com festa, velório e caixão

Tá tudo morto, enterrado agora

Já que também iremos celebrar

A estupidez de quem cantou esta canção

Venha, meu coração está com pressa

Quando a esperança está dispersa

Só a verdade me liberta

Chega de maldade e ilusão

Venha, o amor tem sempre a porta aberta

E vem chegando a primavera

Nosso futuro recomeça

Venha que o que vêm é perfeição

Escrito por Thi às 11h32
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13/11/2005


 

Diferenças, Amor e Cotidiano

 

Ele quer dormir e ela passear no parque.

Ela quer assistir filme romântico e ele policial.

Ele quer comprar  jogo de quarto e ela de cozinha.

Ela quer comida árabe e ele feijoada.

Ele quer viajar pro interior e ela pra praia.

Ela quer deitar e dormir e ele outras coisas.

Ele quer cerveja e ela vinho.

Ela quer frio e ele calor.

Ele quer barzinho após o trabalho e ela supermercado.

Ela quer shopping e ele deitar no sofá.

Ele que cachorro e ela quer gato.

Ela quer dança latina e ele quer banda de rock.

Ele quer o lado direito da cama e ela também.

Ela quer papos com as amigas e ele quer silêncio.

Ele quer sair com ela e ela quer ficar em casa lendo um livro.

Ela quer atenção e ele jogar no computador.

 

Por incrível que pareça, sinto uma IMENSA falta de tudo isso : rotina, diferenças  e cotidiano compartilhados....

 

Escrito por Thi às 22h29
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08/11/2005


As Famosas Bombas da Segunda Guerra Mundial

Domingo, no computador e ouvindo de longe o programa Fantástico. Alguma coisa sobre as bombas lançadas sobre o Japão na Segunda Guerra Mundial.  Escuto falar muitas coisas a respeito, colocarei aqui alguns fatos.

Como muitos falam, o lançamento de duas bombas atômicas sobre o Japão, foi o inicio da guerra fria travada entre URSS e EUA. Como alvos foram escolhidas cidades que estavam praticamente intactas, que não eram alvos militares. Hiroshima, propositalmente, não foi bombardeada em nenhum momento da guerra no Pacífico, com a intenção de verificar o estrago que uma bomba atômica poderia causar em uma cidade (para isso necessitavam de uma cidade intacta). E obviamente, as bombas foram um aviso para a URSS, no que diz respeito à utilização de armamentos atômicos e à guerra fria.

Não acho que a forma com que foram dizimadas vitimas civis possa ser mais ou menos chocante.  De uma forma ou de outra morreram um sem numero de pessoas, a única diferença é que morreram em segundos o mesmo número de pessoas que morreriam em meses, ou melhor, queja haviam  morrido meses antes nesta guerra. Toquio, por exemplo, sofria bombardeios com bombas incendiárias quase que 24 horas por dia. Num destes ataques, o calor era tanto que criava correntes de ar que faziam os aviões bombardeios “pularem” nos céus (e os aviões não eram pequenos). A tripulação dos aviões vomitavam, não pelos “pulos”, mas pelo cheiro de corpos queimados que subia da cidade. Isso, sem utilização de bombas nucleares.

O Japão não aceitava os termos para rendição impostos pelos americanos, porém, já havia entregue uma carta de rendição ao governo da URSS. Esta, por motivos políticos, não deu ouvidos aos Japoneses, pois tinha algum interesse na continuação da guerra no Pacifico, ou seja, tal carta de rendição não chegou até o EUA. O EUA nunca soube da rendição do Japão, e necessitava acabar com a guerra o quanto antes, por fatores políticos, para evitar mais custos empenhandos numa guerra e vitimas de ambos os lados.

Caso não fossem jogadas tais bombas, a guerra continuaria ainda por alguns meses, e haveria muito mais bombardeios (que obviamente não distinguiam a população civil dos alvos militares) e o pior, uma invasão por terra. E ai  sim, haveriam muito mais vitimas civis e destruição, e a situação pós-guerra seria bem pior.

Numa guerra onde foram utilizadas diversas novas tecnologias, com o único intuito de matar (fossem militares,  fossem civis), uma cidade a menos ou uma cidade a mais, na visão e lógica militarista, realmente não fazia diferença alguma (principalmente na na visão de quem como eu, não estava lá)  Mas na Segunda Guerra foi utilizado e muito, o bombardeio de áreas civis para diminuir a moral de uma nação, isso foi utilizado por americanos, japoneses, ingleses, alemães, russos, etc., a única diferença destas bombas, repito, foi a destruição instantanea de uma cidade, e não, como no caso das bombas incendiárias, pelo fogo durante vários  dias..

(Ruas de Londres destruidas após bombardeio aéreo Alemão)

Isso são alguns poucos fatos. O que eu acredito realmente, é que o lançamento de tais bombas foi inevitável diante das circunstâncias políticas do mundo e do andamento da guerra.:

1.O inicio de um período de crise politica entre EUA e URSS, chamado “carinhosamente” de Guerra Fria.

2.A abreviação da Guerra no Pacifico.

3.Teste de um novo armamento militar: uma nova bomba.

Muitas pessoas dirão que não era necessário. Isso não saberei responder, porém INEVITÁVEL, isso era.  E é bom lembrar que o impacto e grande fato aterrorizante da Guerra não foi apenas Hiroshima e Nagasaki, mas também as incontáveis  vítimas sacrificadas durante toda duração do conflito.

 

 

           

 

 

Escrito por Thi às 22h34
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30/10/2005


 

Lembranças...

 

Lembro da gente  morrendo de fome, e você aparecendo com uma baguete, com um recheio que ainda não descobri o que era:  presumo que frango, bacon e um tal molho, que eu, obviamente, não lembro o nome...

Lembro da gente no ônibus, a caminho de nosso destino, e você com sua briga ferrenha com o discman, pulando de musica em musica.... E eu tirando os fones do ouvido por não conseguir ouvir mais de 30 segundos de uma mesma música.

Lembro da mocinha do banco da frente, na viagem de ônibus,  a responder todas as perguntas que você fazia e eu não sabia responder: “É aqui?!?” “Não” “Onde é aqui então?!?” “É tal lugar”.

Lembro da gente caindo na risada ao ler o nome do Chalé, que obviamente não repetirei aqui. Da gente fazendo o reconhecimento da pequena “casinha de madeira”. Dos poréns de quando chegamos. Da organização de toda a tralha carregada nas costas. Lembro perfeitamente dos presentes ganhos.

Lembro da madrugada em que passamos dormindo e conversando, conversando e dormindo (eu, por algumas vezes, fazendo as duas coisas ao mesmo tempo). Lembro de você tentando olhar pelas frestas da janela se chovia ou não, a silhueta de seu corpo na meia luz de nosso quarto.

Lembro de você sempre inquieta antes de dormir, e que dormiu de uma maneira completamente diferente da maneira que havia me dito que dormia (acho que eu quebrei um pouco sua rotina pré-sono).

Lembro de você “mandando” em mim no mercadinho do bairro e eu retrucando “Você é mandona hein?!?”. Lembro que pediu  vinho tinto suave, bolacha de chocolate e pra não esquecer do sal. Pediu, ou melhor mandou, e rodou no calcanhar, virando as costas pra mim. Na hora isso não é muito agradável, mas depois dou risada.

Lembro de nossa conversa na mesa, acompanhada de vinho com coca-cola (eu) e de apenas vinho (você), que aliás, você nem bebeu tanto e mesmo assim apagou no sofá. Alias, lembro de você adormecendo no sofá, com a cabeça em meu colo, e de como ali você parecia tanto uma menininha indefesa.

Lembro de como prendeu os cabelos para uma caminhada pelo centro da cidade. E de como você repara que eu reparo em tudo, que tudo leio, inclusive os rótulos de embalagens  e papeis pendurados pelas paredes.

Lembro de uma mochila (a minha, aquela de colegial, como diz minha mãe) sendo arremessada do bagageiro do ônibus, numa curva, e sendo interceptada antes que caísse no chão (ou em cima de alguém). E você olhando pra minha cara, com aquela expressão de “nossa que reflexo, MEU HERÓI”  E a gente caindo na risada.

Lembro dos últimos momentos juntos, dos abraços, de como me segurei para não descer uma lágrima pelo rosto. Lembro que a dor parece ser insuportável, que a vontade é de lhe seqüestrar, e trazer-lhe para junto de mim.

Lembro de suas risadas nas “guerrinhas” de cócegas. Na sua cara de braba, naquela hora que eu não quis acordar.

Escrito por Thi às 18h55
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Lembro de como fica sem jeito quando eu paro e fico a te olhar. E de como abria rapidamente os olhos ao imaginar que eu estava a te olhar (e estava).

Lembro de você limpando o nariz com a mão logo em seguida pegando na minha, e olhando pra mim, com aquela expressão de quem tira o maior sarro a dizer “Amar é... amar a namorada mesmo quando ela ta fungando e encatarrada”

Lembro de eu sem jeito por você falar alto demais no ônibus.

Lembro de sua insistência em dizer que não era aquele o caminho, na volta por aquela estradinha cheia de curvas, e como aquilo estava me tirando do sério, mas mesmo assim eu estava amando caminhar ao seu lado, mesmo q você não parasse de resmungar..

Lembro de você na cozinha, tentando fazer o tal macarrão, sem luz alguma, e depois insistindo que não tinha ficado bom (acho que somente para receber um elogio).

Lembro do cheiro de incenso pela casa.

Lembro do incenso não queimado, que eu disse ter cheiro de desinfetante de  banheiro.

Lembro de ter comido o resto de seu bombom por você te-lo achado muito enjoativo.

Lembro de você andando pela casa embrulhada no cobertor, e como aquilo me chegou lindo aos olhos.

Da gente assistindo televisão no sofá, e de como me senti em casa naquele dia, somente pelo fato de eu estar ao seu lado, fazendo algo do cotidiano (assistir televisão). E de como me deu vontade de chorar naquela hora.

São tantas as lembranças, tantas para apenas um final de semana, que fica impossível colocá-las todas aqui.

E que fique claro que aqui não estão as mais importantes, nem as que sempre me vem na cabeça, mas sim estão aquelas que podem ser gritadas para o mundo. As importantes, você sabe, fica na maquininha fotográfica de nossa memória e em nossas conversas (particulares).

E que fique claro também que espero ansiosamente por mais um final de semana, por mais uma avalanche de acontecimentos para que eu possa lembrar, e fazer sempre o possível e o impossível para que tudo se repita, sempre, sempre, sempre....

 

 

 

Escrito por Thi às 18h54
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17/10/2005


Silêncio

 

Tudo era silêncio naquele apartamento.

Os passos no corredor eram silenciosos, como passos de alguém que chega em casa de madrugada.

A música que tocava no rádio era silenciosa, como se apenas tocasse dentro de nossas cabeças, como se fossem lembranças de um outro tempo.

Alguém na cozinha também era silêncio. Tão ali do lado, mas ao mesmo tempo tão distante.

Os carros que passavam na rua, alguns andares abaixo, não pertenciam ao nosso mundo. O barulho que nos chegava era apenas como uma vibração numa freqüência inaudível.

O Sol já tinha se posto, também silenciosamente, fazia poucas horas.

O horizonte, que da janela não era uma linha reta como num mar, mas sim forrado de pequenos morros, continuava em seu lugar, em silêncio. Não era um horizonte retilíneo, era um horizonte serrilhado, sem uma forma definida, onde, com muita imaginação, poderíamos ficar horas a distinguir formas conhecidas nos contornos daquela pequena cordilheira.

Por detrás deste horizonte já se via os primeiros contornos de uma lua amarela, quase dourada, enorme, a surgir em silêncio, por entre picos e vales.

Algumas nuvens silenciosas aqui e acolá, a obstruir apenas poucas estrelas, davam um ar ainda mais bucólico à noite, como se estivéssemos numa casa de campo, em silêncio. Mas não. Estávamos em meio à um barulho urbano incrivelmente silencioso, a alguns andares acima de um gramado verde qualquer. A alguns andares acima de alguma árvore que serve de morada para alguns pássaros. Andares, todos estes, em silêncio.

O mundo seguia sua rotina, com seus ruídos, barulhos, musicas e vozes, mas tudo era silêncio no nosso mundo. Não um silêncio fúnebre, mas um silêncio onde as almas apaixonadas conseguem se comunicar, onde conseguem fazer ouvir a sua voz.

E nosso mundo era aquela sala que estávamos. Deitados no chão em silêncio. A olhar um nos olhos dos outro. A ignorar a rotina frenética do lado de fora, de fora de nós dois.

Com olhares não precisávamos de palavras.

Aliás, não precisávamos de nada, não precisávamos do cotidiano daquela cidade fria, não precisávamos dos outros, não precisávamos de comida, não precisávamos do espetáculo do sol, da lua, da natureza. Precisávamos apenas de beijos e abraços. Precisávamos apenas que nossos corações permanecessem numa mesma batida, num mesmo ritmo. Precisávamos apenas estar ali. No chão. Próximos. Tão próximos a ponto de eu sentir sua respiração.

O que precisávamos era que o relógio parasse, e então, tudo seria mais silencioso, tudo seria mais calma, e nossos corações poderiam, então, ser somente amor, paixão, desejo. Nossos olhos poderiam ser luz, nossos sorrisos vida, e nosso beijos e abraços mais eternos.

E nosso sentimento poderia então ser verdade.

E nosso mundo se materializaria.

Escrito por Thi às 17h13
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09/10/2005


 

Naquele Dia Não...

 

Acordou cedo aquele dia, como em todos os dias. Ao som irritante do despertador. Desligou-o com um tapa. Sentou em sua cama e acendeu um cigarro. Não! Aquele dia não! Não iria trabalhar, não sairia de casa, não sairia da cama. Naquele dia não chovia, mas também não estava quente. O céu estava em tons de cinzas e o vento fazia as folhas das árvores da vizinhança cantarem. Naquele dia não sairia da cama. Não enfrentaria o transito que lhe sempre subia a pressão arterial. Não tomaria o café ruim a caminho de seu emprego, nem comeria nada. Naquele dia não sairia da cama. Não bateria cartão e não teria de suportar chefes. Não sentaria em sua cadeira, em frente à sua ferramenta de trabalho, um PC. Não! Naquele dia não sairia da cama. Não teria que fingir simpatia com seus colegas de trabalho, não haveria e-mails, reuniões, telefonemas. Acendeu outro cigarro, mas naquele dia não sairia de sua cama. Não almoçaria naquele restaurante cheirando a gordura, nem teria que agradecer ao serviço mal prestado pelo garçom. Não teria que olhar para o relógio de minuto em minuto esperando dar o horário de sair das grades de seu ganha pão. Naquele dia não sairia da cama. Não tomaria sua cerveja ao final do dia com os “amigos”, e não teria que aturar aquela falação da vida dos outros e principalmente, das outras. Não teria que negar pedidos de sair com mulheres fúteis e fáceis, “amigas” de seus “amigos”.  Não teria que ouvir eles se vangloriando de noites “inesquecíveis” com mulheres pagas. Não! Não sairia da cama! Outro cigarro queimava em sua mão. Não teria que voltar para casa preocupado com assaltos, contas a pagar, as pendências para amanhã. Não teria que alimentar o cachorro, nem requentar a sua janta. Não ligaria o chuveiro para mais um banho. Não sairia da cama naquele dia. Não haveria namorada, amante, mulheres graciosas pelas ruas. Não haveria empregada a limpar a sua casa, nem policiais a apitar nas esquinas. Não haveria ambulâncias em seu retrovisor nem sinais vermelhos, amarelos, verdes.  Não haveria a espera pelo elevador, nem filas no supermercado, não haveria meninos com malabarismos nos semáforos.  Naquele dia não! Naquele dia não sairia da cama. Outro cigarro. Não! Outro não, devolve ao maço, deita, encosta sua cabeça no travesseiro, tira o telefone do gancho e fecha os olhos. Logo adormece e já começa a sonhar. Sonha com princesas em castelos europeus, num dia de sol quente. Sonha que está a viajar nas costas de um mamute em plena era glacial, gelo e neve por todos os lados. Sonha muito. Sonha! Mas naquele dia não sairia da cama. Aquele dia não existiria em sua vida.

 

 

 

Escrito por Thi às 14h35
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06/10/2005


 

Vamos aproveitar a idéia

Este bafafá que anda tendo devido à votação que teremos este mês sobre o desarmamento, ou não, é um dos maiores jogos de marketing que já vi do governo. Tirando, é claro, aquele plebiscito a muito tempo atrás sobre Monarquia, Presidencialismo ou o que mesmo?!? Só lembro que eram três opções. Eu era muito novo pra votar naquela época.

Aproveitando a deixa, deveríamos aproveitar a idéia e mudar algumas coisas no Brasil, em nosso sistema político e governamental.

 

1º) Vamos começar a votar a aprovação das leis. Ou seja, a cada 15 dias aproximadamente, teremos a escolha de poder ir votar ou não em determinado decreto, lei, aprovação de um novo projeto do governo, ou seja lá mais o que for. Principalmente, incluiremos nisso, o valor dos salários de nossos honestíssimos deputados, senadores, governadores, ministros e tudo mais.

 

2º) Devido a isso, mandaremos embora cerca de 60% dos deputados que hoje existem. Pois o serviço que eles não fazem hoje, será de nossa responsabilidade, estando eles lá, após as mudanças, mais para efeito ilustrativo.

 

3º) Decidiremos, também nestas votações quinzenais, quem deverá ser o ministro da economia, o ministro da educação, o ministro do trabalho, enfim, decidiremos os grandes cargos do governo, a equipe de apoio ao presidente. Escolheremos também quanto cada um poderá gastar e quantos funcionários poderão ter.

 

4º) Iremos estar a par de todos os custos e gastos do governo, desde o cafezinho e o papel higiênico utilizado, até a verbas para vitimas de enchentes em alguma cidade pobre. Com isso poderemos detectar com mais facilidades os custos superfaturados, os desvios de dinheiro, e onde nossos salários, “doados” em forma de impostos, vão parar.

 

5º) Tais votações poderiam ser nacionais, estaduais, municipais, dependendo de um cronograma pré-estabelecido (através de uma destas votações, é claro) ou conforme necessidade e urgência.

 

6º) Criaríamos um canal aberto especifico para a propaganda política, partidária e de opiniões sobre os assuntos em pauta. Também, este canal, teria programas informativos e de conscientização, que deveriam ser apresentados por diferentes ONGs, a fim de não ter o risco de influenciar os votantes.

É claro, esta votação não seria obrigatória, votaríamos naqueles assuntos que nos são pertinentes ou apenas de nosso interesse. E deveria ter algumas restrições, como por exemplo: funcionários do governo acima de X posição não poderiam votar, analfabetos, e analfabetos funcionais também não votariam.

Já que, em questões de horas sabemos o resultado de qualquer eleição devido a nossa magnífica urna eletrônica (que até hoje não acredito nela), não seria tão incomodo realizar tal votação a cada 15 dias. E, ao invés de pegarem voluntários (voluntários estes que são intimados a trabalhar), contrataremos funcionários para trabalharem nas seções,  com o dinheiro economizado do salário e gastos dos deputados “demitidos”.

 Que tal aproveitarmos a idéia?!?

Escrito por Thi às 08h55
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03/10/2005


 

Preconceituoso ?!? Eu ?!?!

 

Dias atrás almoçando num restaurante barato próximo donde trabalho. A televisão, cheia de gordura, passando algum jornal, que não lembro se era local ou nacional. Eu nunca presto muita atenção, pois é dificil ter noticias que me encantem nestes dias. Mas ouvi alguma coisa de blogs e orkut. Virei a cabeça pra ver a tal reportagem (eu estava de costas pra televisão). E não é que me espanto quando vejo que estavam taxando de "preconceituosas" e "racistas" algumas comunidades de "Orgulho Branco".

Porra! Eu tenho orgulho de ser branco!!! Se eu fosse verde com bolinhas amarelinhas, eu teria orgulho de ser verde com bolinhas amarelinhas. Eu tenho orgulho do que eu sou, e ponto final.

Agora, se eu sou branco e tenho orgulho de ser o que sou, e consequetemente tenho orgulho de ser branco, e isso é ser preconceituoso e racista, então eu sou um nazista. E além de ser nazista, ainda quero que acabem com dias comemorativos como (não sei se são estes exatamente os nomes): Orgulho Negro, Libertação Negra, e outras tantas que não lembro o nome.

Quero também, aliás, uma porcentagem das vagas na universidades. Se tem para negros e índios, quero também pra brancos, orientais, etc. Quero minha parte, sou descendente de oriental, os EUA jogaram duas bombas atômicas lá, oprimindo meus ancestrais e podendo ter consequências na minha atual capacidade de raciocinio e desenvolvimento intelectual.

Por falar nisso, estas história de vagas para negros pra mim é puro preconceito. É como dizer: "Eu vou reservar uma parte das vagas pra vocês, por que vocês não tem capacidade alguma de conseguirem sozinhos. Não são tão inteligentes como nós, brancos!". Da primeira vez que ouvir falar nisso pensei que todos os negros iriam ser contra. Ainda não me entrou na cabeça que TODOS que eu conheço concordem em ser chamados de incapazes. Mas enfim, cada um com sua maneira de ver a vida.

Mas, voltando ao assunto, se eu não posso ter orgulho do que sou, por causa de erros cometidos a mais de um século atrás, então me prendam. Prenda-me devido às mortes que meus ancestrais japoneses causaram na segunda guerra, e muitas mais antes, em guerras contra China e países daquela região. Prendam-me por ter meus ancestrais portugueses, tendo eliminado várias civilizações na época das grandes conquistas/cruzadas. Prendam-me, por favor.

Se podem ter orgulho de ser negro, então quero poder ter orgulho de ser branco, de ser a pessoa que eu sou.

É isso.....

 

Escrito por Thi às 18h47
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27/09/2005


 

Falando de  Letras e Numeros

 

*** Resolvo abrir o jornal, depois de longo tempo longe das leituras diárias: Katrina, Rita, Severino, juizes de futebol, nova eleição para presidência da câmara dos deputados, avião que faz pouso de emergência em LA. Pelamordedeus!!!! Chega!!!! Vamos às tirinhas do Garfield.

***Peguei um livro sobre a história do automóvel. Antigo, muito antigo. Inicio dos anos 80 ou final dos anos 70 pelo que percebi (não olhei a data). Mas lá dizia que a tendência para o futuro seria de carros cada vez menores e mais econômicos. Não estava errado. Hoje temos brinquedos em escala 1:1 rodando pelas ruas de nossas cidades. Carros que tem mais plástico do que metal em sua composição.

***É fácil enrolar qualquer um, acho que pela preguiça em pensar. Bastar enrolar um pouco, dar algumas voltas e o pessoal se perde, ou então fica sem vontade de parar e pensar um pouco.

Escrito por Thi às 13h44
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Veja o e-mail abaixo que eu recebi hoje:

Coisas da matemática - A matemática tem coisas que nem Pitágoras explicaria.
Aí vai uma delas...  Pegue uma calculadora porque não dá pra fazer de cabeça...
 1 - Digite o prefixo de seu telefone fixo (podem ser 3 ou 4 dígitos)
2 - multiplique por 80.
3 - some 1.
4 - multiplique por 250.
5 - some com os 4 últimos algarismos do mesmo telefone.
6 - some com os 4 últimos algarismos do mesmo telefone de novo.
7 - diminua 250.
8 - divida por 2.
Reconhece o resultado???????
É O NÚMERO COMPLETO DE SEU TELEFONE
Para essa eu tiro o chapéu...

Parece coisa de outro mundo, não parece?!?

Mas não é, nem só Pitágoras explicaria (como deve também estar revirando-se no tumulo diante estes cálculos), como eu também explicarei aqui. Claro que minhas explicações podem ser um pouco confusas, mas tentaremos.

Visto que ele pega o prefixo e multiplica por 10.000, ou seja o que era 3252 vira 32520000. O 10.000 é a multiplicação de 80 x 250 x 2 = 10.000

Ótimo, já temos os primeiros quatro números do telefone. Precisamos obter os 4 últimos números.

Basta somar os quatro últimos números. Só que, como vamos dividir ainda por dois o total que temos, para que a multiplicação final fique por 10.000, como explicado acima, temos que somar duas vezes. O que dá o resultado final. ( X + X ) / 2 = X

E a soma do 1 e diminuição do 250?!?!? Quando você soma 1, logo em seguida multiplica por 250, você obtém um numero inicial vezes 250 mais 250. Ou seja, você tem o prefixo do seu telefone mais 250. Se tirarmos os itens 3 e 7 do procedimento abaixo não mudaria em nada o cálculo. ( X + 1 ) * 250 se fizermos a multiplicação obtemos 250 * X + 250. Por isso diminuímos o 250.

Tente refazer os cálculos simplificando.

Não faça os itens 3, 6, 7 e 8.

Ao invés de multiplicar por 80, no item 2 multiplique por 40.

Reconhece o resultado?!?!? Hehehehehe.....

Pra essa eu não tiro o chapéu..... a matemática sempre explica tudo.

É isso...

Escrito por Thi às 13h43
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21/09/2005


Gostaria que o que acontece não seja o fim de uma amizade. Que nossos caminhos não sejam divergentes nem paralelos, mas que nos encontremos futuramente, a fim de manter esta amizade, que já existia, tímida, e que acabou se tornando especial.

 

Se te faço chorar agora é por que não quero que chore mais futuramente. Se te faço sofrer agora, é pra que não sofra o dobro futuramente, e um pouco todos os dias até lá.

 

Sei que não existem palavras para reverter tal situação. Sigamos então com nossas próprias vidas, separadas infelizmente, mas saiba que estarei ao seu lado. E se um dia gritares meu nome, irei te amparar. O carinho da amizade ainda continua em meu coração.

 

Que a gente consiga sair desta logo, e sejamos felizes nesta vida. E que estas nossas vidas sejam longas o suficiente para realizarmos nossos sonhos.

 

 

 

Escrito por Thi às 14h39
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15/09/2005


 

Acordou ainda era madrugada. Acendeu a luz e em seguida um cigarro.  Ligou a televisão e tudo que conseguia enxergar era um chuvisco com alguns vultos por detrás. Resolveu pegar a folha de papel e o lápis que estavam ao lado da cama. Levantou-se e foi a te a escrivaninha, ligou a luminária, postou a folha sobre a superfície lisa da mesa, o lápis sobre a folha. Ficou a olhar. Olhou por vários longos minutos a folha branca, intocada, virgem. Queria escrever, colocar novamente seus pensamentos em frases ou versos. Numa tentativa de algo viesse a sua mente tentou rabiscar algumas palavras sem sentido: céu, bicicleta, sorvete, cidades, esquinas, fotografia. Soltou o lápis sobre a folha novamente, já tinha escrito umas quinze palavras, sem ligação alguma entre uma e outra, e nem sequer uma frase poderia ter escrito com algumas delas. Apagou a lâmpada sobre a escrivaninha e se soltou na cadeira. Ficou ali, imóvel, numa posição preguiçosa, olhando pela janela a noite indo, o céu negro e as estrelas a darem voltas sobre sua cabeça, o mundo passando pela janela de seu apartamento, a vida correndo lá fora. Imaginou que a  vida que levava no fundo não era tão ruim assim. De que sua vida estava cheia de preocupações, mas também existia as rodas de amigos, que sua vida estava cheia desencontros, mas também existia os encontros, que sua vida estava cheia.... enfim, ele estava cheio da vida. Com tanta vida que trasbordou, sujou tudo em volta e acabou ficando nada maleável. O excesso de vida acabou lhe fazendo mal. Sim! Além de cheio de vida, estava cheio da vida. Ficou ali um tempo ainda, até sentir sono novamente. Voltou pra cama, tentou a televisão novamente, fumou outros cigarros antes de pegar no sono definitivamente. Não conseguiu escrever nada, não se inspirou em nada. Voltou a dormir. Daquela noite insone apenas sobrou um cinzeiro cheio e uma folha com palavras sem sentido escritas em letras feias e traço disforme. Daquela noite insone sobrou apenas o céu estrelado e sem lua passando pela janela nua do quarto.

 

Escrito por Thi às 11h46
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09/09/2005


Uma quase história de amor
Ele ainda estava no escritório, estava sozinho, já passava do horário do expediente e era sexta-feira. Todos já haviam saído. Pensava em taxas de investimentos, juros, ações. Queria adiantar alguma coisa para a segunda-feira ser menos traumática. Ainda mais, ele não tinha nenhum compromisso para aquela noite, não faria diferença estar ali ou em outro lugar. Uma hora resolveu parar, pensou em sua vida, se deveria aceitar aquela proposta de um novo emprego, se deveria comprar aquela televisão de última geração, e que estava precisando, urgentemente, de roupas novas. Lembrou-se então que precisava de um amor. Precisava não, ele tinha um, precisava que apenas se tornasse realidade. Abriu a foto e lá estava ela, com seu corte de cabelo simples mas belíssimo, aquele sorriso encantador e aquele olhar que ele nunca mais esqueceu. Abriu o blog dela e lá estavam palavras, frases, versos e outra foto. Lia tudo aquilo como se ela dissesse aquilo em seu ouvido. Lembrou da voz. Lembrou de quando se encontraram, naquela noite. Naquela boate, ele fingiu esbarrar nela para puxar assunto. Lembrou dos olhos dela, de como ele sempre procurava o olhar dela com o seu, e como ela sempre insistia em resistir. Lembrou-se daquele final de semana prolongado, naquela casa de campo, estava frio e foi tudo tão intenso, tão romântico. Apenas os dois. Até os silêncios estavam cheios de amor e paixão. Nunca mais esqueceria ela, mas ela o esqueceu. Resolveu mandar mais um e-mail, o último do dia. Sabia que ela não responderia, como a todos os outros que ele enviou. A única intenção destas mensagens era ela saber que ele ainda pensava nela. Que aquela paixão ainda existia. Por que se separaram?!? Não sabia dizer, não houve brigas, não houve discussões. Ela apenas havia sumido. Afrouxou a gravata, o ar condicionado estava quebrado, mas não era este o motivo daquele sufoco. Era saudades. Desligou o computador, apagou s luzes, pegou seu paletó e foi embora, com o peito apertado daquela saudades que lhe doía. Chegou em casa, ligou a televisão em algum canal qualquer, falavam do problema da superpopulação da China Ocidental, tomou um banho, comeu o resto da janta de ontem no sofá, em frente a televisão, e foi dormir ao som de Morphine e Portshead. Os olhos cheios de lágrimas, pensando nela. Sonhou com ela naquela noite.


Ela estava muito longe dali. Estava num bar, numa reunião de amigas, num happy hour. Estava com mais três amigas. Ela bebia suco de laranja, as outras pediram cada uma sua bebida de preferencia. Uma um guaraná com laranja, outra coca-cola e outra pediu cerveja. Falavam dos problemas do trabalho, de homens, de mulheres, de moda, de política, de blogs, amigos virtuais, outros nem tanto virtuais, outros nem tantos amigos. A que pediu cerveja queria falar de sua última viagem. A da coca-cola queria falar do seu grande amor, que acabou de achar. A do guaraná de suas noites quentes com o namorado. Ela não queria falar nada. Apenas pensava nele e em suas várias mensagens por dia. Lembrava daquela noite, daquele esbarrão, que ela tinha certeza ter sido proposital. Lembrou de como os dois trocavam olhares. Lembrou do encontro naquela casa retirada. Ela sentia frio e ele sempre a esquentava. O final de semana mais romântico de sua vida. Estavam sozinhos e sozinhos ficaram durante o final de semana inteiro, como que em um desespero para se amarem, como se o mundo fosse acabar assim que se separassem. Lembrou do olhar maroto dele, do jeito de garoto, mas com uma postura madura, como quem sabe muito bem onde pisa. Queria que tudo aquilo voltasse a ser verdade, queria que ele estivesse ali, ao lado dela. Queria levantar naquela mesa e gritar. Gritar que amava aquele homem, que sairia dali agora, e iria procurar até o fim do mundo a sua paixão, e repetiria aquele final de semana. Mas se conteve e falou apenas dos problemas com o chefe babaca. Continuaram as quatro, por horas, conversando, sempre acompanhadas de gargalhadas e suas bebidas. Encerraram a conta, dividiram a despesa igualmente entre as quatro. A do guaraná foi para casa parater mais uma noite picante com o namorado. A da coca-cola foi para alguma boate movimentada, para dançar a noite inteira. A da cerveja foi visitar alguma amiga ou prima. Ela simplesmente foi para casa. Chegou, cansada e desanimada, mesmo depois de horas de uma conversa divertidíssima. Ligou o computador e o rádio, tocava alguma música antiga. Deu comida para a sua gata, que foi lhe receber já na porta. Tomou um banho. Cuidou do cabelo, do corpo, da pele, como toda mulher vaidosa faria. Comeu algo leve em frente ao computador, conferindo os e-mails. Várias mensagens encaminhadas, piadinhas, spams. E sim, lá estava o que ela queria, mensagens dele. Três mensagens hoje, não, quatro, cinco, seis....... sete. Sete mensagens em apenas um dia. Era sempre assim, várias mensagens, uma mais romântica que a outra e ela nunca respondia. E nunca soube o porque de não responder. Estava decidida, hoje responderia. Abriu a última mensagem, clicou em Responder e começou a digitar. Desligou o computador assim que enviou a mensagem, hoje não escreveria nada em seu blog, não responderia mais ninguém, nem conversaria com pessoa alguma. Colocou Cranberries para tocar e foi dormir, pensando nele. Não sonhou naquela noite.

E então, como deve ser o final desta história?!?

 

 

Escrito por Thi às 22h54
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