Tempestades Neurais


15/09/2005


 

Acordou ainda era madrugada. Acendeu a luz e em seguida um cigarro.  Ligou a televisão e tudo que conseguia enxergar era um chuvisco com alguns vultos por detrás. Resolveu pegar a folha de papel e o lápis que estavam ao lado da cama. Levantou-se e foi a te a escrivaninha, ligou a luminária, postou a folha sobre a superfície lisa da mesa, o lápis sobre a folha. Ficou a olhar. Olhou por vários longos minutos a folha branca, intocada, virgem. Queria escrever, colocar novamente seus pensamentos em frases ou versos. Numa tentativa de algo viesse a sua mente tentou rabiscar algumas palavras sem sentido: céu, bicicleta, sorvete, cidades, esquinas, fotografia. Soltou o lápis sobre a folha novamente, já tinha escrito umas quinze palavras, sem ligação alguma entre uma e outra, e nem sequer uma frase poderia ter escrito com algumas delas. Apagou a lâmpada sobre a escrivaninha e se soltou na cadeira. Ficou ali, imóvel, numa posição preguiçosa, olhando pela janela a noite indo, o céu negro e as estrelas a darem voltas sobre sua cabeça, o mundo passando pela janela de seu apartamento, a vida correndo lá fora. Imaginou que a  vida que levava no fundo não era tão ruim assim. De que sua vida estava cheia de preocupações, mas também existia as rodas de amigos, que sua vida estava cheia desencontros, mas também existia os encontros, que sua vida estava cheia.... enfim, ele estava cheio da vida. Com tanta vida que trasbordou, sujou tudo em volta e acabou ficando nada maleável. O excesso de vida acabou lhe fazendo mal. Sim! Além de cheio de vida, estava cheio da vida. Ficou ali um tempo ainda, até sentir sono novamente. Voltou pra cama, tentou a televisão novamente, fumou outros cigarros antes de pegar no sono definitivamente. Não conseguiu escrever nada, não se inspirou em nada. Voltou a dormir. Daquela noite insone apenas sobrou um cinzeiro cheio e uma folha com palavras sem sentido escritas em letras feias e traço disforme. Daquela noite insone sobrou apenas o céu estrelado e sem lua passando pela janela nua do quarto.

 

Escrito por Thi às 11h46
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