Tempestades Neurais


30/10/2005


 

Lembranças...

 

Lembro da gente  morrendo de fome, e você aparecendo com uma baguete, com um recheio que ainda não descobri o que era:  presumo que frango, bacon e um tal molho, que eu, obviamente, não lembro o nome...

Lembro da gente no ônibus, a caminho de nosso destino, e você com sua briga ferrenha com o discman, pulando de musica em musica.... E eu tirando os fones do ouvido por não conseguir ouvir mais de 30 segundos de uma mesma música.

Lembro da mocinha do banco da frente, na viagem de ônibus,  a responder todas as perguntas que você fazia e eu não sabia responder: “É aqui?!?” “Não” “Onde é aqui então?!?” “É tal lugar”.

Lembro da gente caindo na risada ao ler o nome do Chalé, que obviamente não repetirei aqui. Da gente fazendo o reconhecimento da pequena “casinha de madeira”. Dos poréns de quando chegamos. Da organização de toda a tralha carregada nas costas. Lembro perfeitamente dos presentes ganhos.

Lembro da madrugada em que passamos dormindo e conversando, conversando e dormindo (eu, por algumas vezes, fazendo as duas coisas ao mesmo tempo). Lembro de você tentando olhar pelas frestas da janela se chovia ou não, a silhueta de seu corpo na meia luz de nosso quarto.

Lembro de você sempre inquieta antes de dormir, e que dormiu de uma maneira completamente diferente da maneira que havia me dito que dormia (acho que eu quebrei um pouco sua rotina pré-sono).

Lembro de você “mandando” em mim no mercadinho do bairro e eu retrucando “Você é mandona hein?!?”. Lembro que pediu  vinho tinto suave, bolacha de chocolate e pra não esquecer do sal. Pediu, ou melhor mandou, e rodou no calcanhar, virando as costas pra mim. Na hora isso não é muito agradável, mas depois dou risada.

Lembro de nossa conversa na mesa, acompanhada de vinho com coca-cola (eu) e de apenas vinho (você), que aliás, você nem bebeu tanto e mesmo assim apagou no sofá. Alias, lembro de você adormecendo no sofá, com a cabeça em meu colo, e de como ali você parecia tanto uma menininha indefesa.

Lembro de como prendeu os cabelos para uma caminhada pelo centro da cidade. E de como você repara que eu reparo em tudo, que tudo leio, inclusive os rótulos de embalagens  e papeis pendurados pelas paredes.

Lembro de uma mochila (a minha, aquela de colegial, como diz minha mãe) sendo arremessada do bagageiro do ônibus, numa curva, e sendo interceptada antes que caísse no chão (ou em cima de alguém). E você olhando pra minha cara, com aquela expressão de “nossa que reflexo, MEU HERÓI”  E a gente caindo na risada.

Lembro dos últimos momentos juntos, dos abraços, de como me segurei para não descer uma lágrima pelo rosto. Lembro que a dor parece ser insuportável, que a vontade é de lhe seqüestrar, e trazer-lhe para junto de mim.

Lembro de suas risadas nas “guerrinhas” de cócegas. Na sua cara de braba, naquela hora que eu não quis acordar.

Escrito por Thi às 18h55
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Lembro de como fica sem jeito quando eu paro e fico a te olhar. E de como abria rapidamente os olhos ao imaginar que eu estava a te olhar (e estava).

Lembro de você limpando o nariz com a mão logo em seguida pegando na minha, e olhando pra mim, com aquela expressão de quem tira o maior sarro a dizer “Amar é... amar a namorada mesmo quando ela ta fungando e encatarrada”

Lembro de eu sem jeito por você falar alto demais no ônibus.

Lembro de sua insistência em dizer que não era aquele o caminho, na volta por aquela estradinha cheia de curvas, e como aquilo estava me tirando do sério, mas mesmo assim eu estava amando caminhar ao seu lado, mesmo q você não parasse de resmungar..

Lembro de você na cozinha, tentando fazer o tal macarrão, sem luz alguma, e depois insistindo que não tinha ficado bom (acho que somente para receber um elogio).

Lembro do cheiro de incenso pela casa.

Lembro do incenso não queimado, que eu disse ter cheiro de desinfetante de  banheiro.

Lembro de ter comido o resto de seu bombom por você te-lo achado muito enjoativo.

Lembro de você andando pela casa embrulhada no cobertor, e como aquilo me chegou lindo aos olhos.

Da gente assistindo televisão no sofá, e de como me senti em casa naquele dia, somente pelo fato de eu estar ao seu lado, fazendo algo do cotidiano (assistir televisão). E de como me deu vontade de chorar naquela hora.

São tantas as lembranças, tantas para apenas um final de semana, que fica impossível colocá-las todas aqui.

E que fique claro que aqui não estão as mais importantes, nem as que sempre me vem na cabeça, mas sim estão aquelas que podem ser gritadas para o mundo. As importantes, você sabe, fica na maquininha fotográfica de nossa memória e em nossas conversas (particulares).

E que fique claro também que espero ansiosamente por mais um final de semana, por mais uma avalanche de acontecimentos para que eu possa lembrar, e fazer sempre o possível e o impossível para que tudo se repita, sempre, sempre, sempre....

 

 

 

Escrito por Thi às 18h54
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