Lembranças...
Lembro da gente morrendo de fome, e você aparecendo com uma baguete, com um recheio que ainda não descobri o que era: presumo que frango, bacon e um tal molho, que eu, obviamente, não lembro o nome...
Lembro da gente no ônibus, a caminho de nosso destino, e você com sua briga ferrenha com o discman, pulando de musica em musica.... E eu tirando os fones do ouvido por não conseguir ouvir mais de 30 segundos de uma mesma música.
Lembro da mocinha do banco da frente, na viagem de ônibus, a responder todas as perguntas que você fazia e eu não sabia responder: “É aqui?!?” “Não” “Onde é aqui então?!?” “É tal lugar”.
Lembro da gente caindo na risada ao ler o nome do Chalé, que obviamente não repetirei aqui. Da gente fazendo o reconhecimento da pequena “casinha de madeira”. Dos poréns de quando chegamos. Da organização de toda a tralha carregada nas costas. Lembro perfeitamente dos presentes ganhos.
Lembro da madrugada em que passamos dormindo e conversando, conversando e dormindo (eu, por algumas vezes, fazendo as duas coisas ao mesmo tempo). Lembro de você tentando olhar pelas frestas da janela se chovia ou não, a silhueta de seu corpo na meia luz de nosso quarto.
Lembro de você sempre inquieta antes de dormir, e que dormiu de uma maneira completamente diferente da maneira que havia me dito que dormia (acho que eu quebrei um pouco sua rotina pré-sono).
Lembro de você “mandando” em mim no mercadinho do bairro e eu retrucando “Você é mandona hein?!?”. Lembro que pediu vinho tinto suave, bolacha de chocolate e pra não esquecer do sal. Pediu, ou melhor mandou, e rodou no calcanhar, virando as costas pra mim. Na hora isso não é muito agradável, mas depois dou risada.
Lembro de nossa conversa na mesa, acompanhada de vinho com coca-cola (eu) e de apenas vinho (você), que aliás, você nem bebeu tanto e mesmo assim apagou no sofá. Alias, lembro de você adormecendo no sofá, com a cabeça em meu colo, e de como ali você parecia tanto uma menininha indefesa.
Lembro de como prendeu os cabelos para uma caminhada pelo centro da cidade. E de como você repara que eu reparo em tudo, que tudo leio, inclusive os rótulos de embalagens e papeis pendurados pelas paredes.
Lembro de uma mochila (a minha, aquela de colegial, como diz minha mãe) sendo arremessada do bagageiro do ônibus, numa curva, e sendo interceptada antes que caísse no chão (ou em cima de alguém). E você olhando pra minha cara, com aquela expressão de “nossa que reflexo, MEU HERÓI” E a gente caindo na risada.
Lembro dos últimos momentos juntos, dos abraços, de como me segurei para não descer uma lágrima pelo rosto. Lembro que a dor parece ser insuportável, que a vontade é de lhe seqüestrar, e trazer-lhe para junto de mim.
Lembro de suas risadas nas “guerrinhas” de cócegas. Na sua cara de braba, naquela hora que eu não quis acordar.





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